...Chegou, portanto, atrás da porta e esperou até que a si mesmo tivesse ido embora. Raríssimas vezes tinha lembrado de sentir medo de si mesmo, contudo, esta era uma das vezes que mais tinha o apavorado. Seu rosto, seu olhar, lembrava bem que há muito não via um olhar parecido com aquele. Sabia que não estava bem, mas não podia fazer isso consigo, estava em um nível de insustentabilidade máxima. A semana inteira as crises se repetiam: gritos, urros, socos, lágrimas e sensação de dor. Assistia a tudo atônito, a princípio tentava conter-se, dizia a si palavras suave, se mostrava próximo, e se compreendia, mas a gravidade alargou-se e o silêncio era a única defesa. Na vida escondida e com medo, a ultima semana, não pensava, não falava... vegetava... e era insuportável aceitar isso. Via-se rodando o quarto como um animal selvagem preso e agoniado, mas não tinha mãos para afagar-se o peito e acalmar-se. Tinha completo controle sobre o que percebia, mas como percebia estava sem controle... a audição já tinha perdido pelos milhares de gritos que viu sua boca ecoar e apenas a visão lhe mostrava quadros de si realmente aterradores. Pinturas de feridas e de sangue já mostravam que a sua dor já transpassava o desconhecido. O corpo agora é pútrido e tocar a si mesmo, embora não tenha mais tato, o enoja. Percebe que perdeu... percebe que já não é mais seu... mas continua atrás da porta a admirar-se da paisagem...

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