quinta-feira, 9 de junho de 2022

 

Sentimento desgosto


A dor subia pelo peito, uma dor sufocante... movimentos involuntários nas pernas, nas mãos... era um abandono novamente... Estava ali na frente... as palavras eram as mais temíveis possíveis “Estamos terminados, eu não tenho mais como suportar isso”... “Não!” ela pensou, “você fez isso comigo” ela  seguiu pensando enquanto as luzes a frente continuavam piscando lembrando do Natal próximo... – Ei! Débora! – Não podia acreditar que essa dor não acabaria nunca... a raiva era gritante “Devia ter batido nele!”... A vida seria toda diferente, “do zero?” pensou... “Como farei isso?”... A frustração de não ter seu sentimento válido ou útil a consumia... “ Não presto pra nada!”, o pensamento era interrompido com uma fisgada no peito – Oxe! Débora acorda! – Sentiu um beliscão no braço, mas a dor consumia o corpo todo... “fracasso, inútil, imbecil!” os pensamentos confundiam as palavras autodirecionadas e pensadas para usar com a raiva...” é possível passar por isso quantas vezes nessa vida?”... aos 24 anos essa repetição já era um “saco!”... – Meu deus Débora! – O cutucão ficou mais forte no braço, mas a dor paralisava o corpo e  os olhos fixos no piscar das luzes... “Foda-se aquele imbecil!”... o corpo destravou, a dor dissipou e a amiga com cara de raiva falou: - Porra Debora! Tá viajando? Sua cerveja tá um aquário já! – consertou-se na cadeira e respondeu – Dei uma viajada! – a amiga olhou sério: - Pensando no defunto? – colocou a cerveja na boca como resposta e sentiu ansia: - Caralho de cerveja quente! – jogou o líquido fora e pensou que seria bom jogar os sentimentos fora assim... sacudiu-se e sorriu – Bora beber!

Nenhum comentário:

Postar um comentário