Sentimento desgosto
A dor subia pelo peito, uma dor sufocante... movimentos
involuntários nas pernas, nas mãos... era um abandono novamente... Estava ali
na frente... as palavras eram as mais temíveis possíveis “Estamos terminados,
eu não tenho mais como suportar isso”... “Não!” ela pensou, “você fez isso
comigo” ela seguiu pensando enquanto as
luzes a frente continuavam piscando lembrando do Natal próximo... – Ei! Débora!
– Não podia acreditar que essa dor não acabaria nunca... a raiva era gritante “Devia
ter batido nele!”... A vida seria toda diferente, “do zero?” pensou... “Como
farei isso?”... A frustração de não ter seu sentimento válido ou útil a
consumia... “ Não presto pra nada!”, o pensamento era interrompido com uma
fisgada no peito – Oxe! Débora acorda! – Sentiu um beliscão no braço, mas a dor
consumia o corpo todo... “fracasso, inútil, imbecil!” os pensamentos confundiam
as palavras autodirecionadas e pensadas para usar com a raiva...” é possível
passar por isso quantas vezes nessa vida?”... aos 24 anos essa repetição já era
um “saco!”... – Meu deus Débora! – O cutucão ficou mais forte no braço, mas a
dor paralisava o corpo e os olhos fixos
no piscar das luzes... “Foda-se aquele imbecil!”... o corpo destravou, a dor
dissipou e a amiga com cara de raiva falou: - Porra Debora! Tá viajando? Sua
cerveja tá um aquário já! – consertou-se na cadeira e respondeu – Dei uma
viajada! – a amiga olhou sério: - Pensando no defunto? – colocou a cerveja na
boca como resposta e sentiu ansia: - Caralho de cerveja quente! – jogou o líquido
fora e pensou que seria bom jogar os sentimentos fora assim... sacudiu-se e
sorriu – Bora beber!
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