Há mais ou menos 10 anos escrevi meu primeiro conto...
(26/10/2004)
O BUQUÊ!
Hoje uma pequena garota veio me trazer flores. – Flores? Pra mim?Por quê? – Nunca a vi, nenhuma lembrança de conhecimento e nem sequer uma pessoa por trás de um poste para recepcioná-la depois que me deixou... flores... Flores? Como assim? A avenida, cercada por suas lojas e aquele alvoroço de compras de fim de ano, aonde transeuntes vão e vem numa velocidade incrível, e uma garota 10 a 12 anos me trazendo flores? Perplexidade? Alucinação? Não, as flores eram reais, sentia o cheiro das diversas flores, um buquê! Não houve palavras, nem resposta a garota partiu sem sequer ouvir um agradecimento e nem a responder minhas interrogações sobre o porquê das flores. Percebo ainda os hematomas que alguns apressados deixaram em mim com sua correria e com a minha paralisia frente a uma situação tão inesperada e curiosa. Passei então a procurar decididamente por um bilhete, um cartão, uma nota. Quer queira, quer não, era um buquê, e deveria, como de costume, vir conjuntamente a um escrito. Contudo, analisando minuciosamente, e ainda recebendo alguns esbarrões, dei-me conta da completa ausência de papel. Eram flores apenas... – Flores!!!! Mas que diabos!!! – Flores em uma tarde quente e movimentada e aparentemente sem qualquer sentido de alguém que nunca vi. A falta de sentido me deixava sem sentidos. – Deve haver algo!! – Não suportando mais os esbarrões sentei-me no chão para examinar novamente o, agora bagunçado, buquê. Coloquei minha mão entre os talos e pétalas para ver se aparecia algo, mesmo que fosse apenas letras iniciais de alguém. Para minha surpresa em minha mão apareceu sangue. Cauteloso, examinei mais de perto este fenômeno e descobri que os espinhos das poucas rosas presentes tinham me furado. Era vã mais uma tentativa de descoberta do desconhecido. Irritado, meio que, pelo sangue que escorria com alguma força e, meio que, pela falta de indícios de qualquer coisa que poderia ser o, agora, maldito buquê, não percebi a resposta que dei a uma senhora que reclamava do meu posicionamento que impedia o fluxo normal de pedestres na calçada. Contendo o sangue e retirando o suor do rosto, devido o esforço e tempo desprendido, o nada que o buquê me representava pela falta de motivo e agente, me deixava cada vez mais transtornado. Como não havia plástico nem talos a mais para passar pelo meu exame, suspeitei que nas pétalas haveria de encontrar o motivo de todo aquele mistério que a garota depositara em minhas mãos. Uma a uma, minutos a minutos, rosas, cravos, margaridas, e as espécies de flores da qual desconheço foram sendo examinadas, e cada pétala, para não haver dúvida, arrancada e verificada duas vezes. Passados um mínimo de três horas, e todas as pétalas arrancadas e examinadas, dei-me conta da ausência de indícios e ergui meu rosto para perceber que a tarde tinha virado noite. O cansaço então tomou o meu corpo e percebi que deveria ir para casa. Displicentemente após estar em pé e iniciar a caminhada de retorno para o lar, senti falta de algo e falei a mim mesmo – O buquê!!!?
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